Vinte e cinco anos, honestamente sem saber o que fazer

Tenho pensado (muito) sobre o que fazer em relação a este blog.
Honestamente e sem muitas palavras caras ou jeitos esquisitos, daqui a dois dias tenho vinte e cinco anos e ainda não sei o que fazer à minha vida.
Às vezes parece que a inspiração secou, outras vezes entendo que a tristeza que em tempos comeu o que sobrava de mim, se vai apagando aos poucos, e a necessidade de tanto escrever começa-se a secar.
Eu escrevia da maneira que escrevia, porque queria muito (muito) que as minhas palavras chegassem onde não consegui chegar.
E consegui, de certa forma, mas nunca como quis.
Irei sempre escrever, mas dependendo de mim, gostava que o que passasse para os outros, não fosse apenas esta imagem de rapariga mal com o mundo e de coração partido.
Sim já me partiram o coração, mas eu também já o fiz, e não sei o que é melhor, se permitir alguém me o fazer, ou fazer a outros.
Não sei o que dizer quando estou feliz, nunca soube.
O que sei é isto.
Nunca mais quero voltar ao sítio em que estive, não saberia lidar outra vez com tanto desgosto, tanta mágoa e tanto rancor por mim mesma e por certas atitudes que já tive.
As redes sociais, este blog, tudo o que nos rodeia que não seja dito nos olhos ou partilhado com alguém, não passam de mentiras.
O meu blog não é uma mentira, é só uma fase que tento esquecer a todo o custo que vivi.
Está imortalizado aqui, não me arrependo, mas não sei até que ponto, voltando atrás, não faria as coisas de maneira diferente.
A minha vida nunca mais vai ser a mesma, não por ter crescido, mas porque aprendi que por vezes, essa teoria que precisamos de tanta desgraça para a nossa arte, não passam de palavras bonitas.
Eu senti isso na carne, essa merda de ser artista inconformado com o mundo e com quem me rodeia, e não me levou a lado nenhum.
No máximo levou-me a um caminho, sem grandes saídas ou respostas.
Acabei o caminho da mesma maneira que o comecei, sozinha.
Fazendo uma homenagem a essa rapariga que um dia morreu em vida, escrevi um livro.
Gostava de partilhar com quem gosta de mim, que vai sair cá para fora.
Da mesma maneira que também gostava de dizer, que por homenagem à criança que fui, e à adolescente que se tornou em mulher, escolho não viver eternamente nas páginas que me marcaram.
A vida é em frente, tenho pena de quem viva no passado.
Pura e eterna pena, que na minha maneira de ver, será o pior dos sentimentos que se pode ter.
Se eu aprendi a lamber as minhas feridas, então toda a gente o saberá fazer.
Faz parte, aprendermos nós mesmos, os sítios e lugares onde precisamos de nos curarmos.
Às vezes não sai bem à primeira, nem à segunda, ou décima vez, mas com tempo e espaço, todos lá chegamos.
Não sinto mais saudades de quem me magoou, nem desses dias de acordar sem o realmente fazer.
Crescer é estranho, começamos a perceber que a nossa família nem sempre é a de sangue, que não bate certo termos crescido rodeados de gente em casa, e hoje em dia não contribuírem para nada.
A minha família ficou mais pequena, mas cresceu dentro de mim de uma maneira bonita.
O que eu gostava mesmo, é deixar orgulho nos meus pais, nas minhas amigas, no meu namorado, nos meus futuros filhos, em quem algum dia olhou para mim com amor, conhecendo-me ou não.
Continuo a amar quem já amei, fará eternamente parte de mim.
Não desejo mal a ninguém, mas também já não caio no erro, de desejar mais para alguém do que para mim mesma.
Continuo nessa batalha infernal que é, saber mais sobre o amor próprio, e continuarei sempre, a partilhá-la com vocês. (sejam lá quem forem)
Com amor.





Comentários

  1. Estou tão longe dos 25 como tu dos 30, mas foi muitas vezes no meio das tuas palavras que encontrei conforto na minha solidão... Devemos sempre tentar ser pessoas felizes que por vezes têm dias maus e não seres infelizes que às vezes têm dias felizes. Por entre todos os dias péssimos e intermináveis que os últimos anos me deram, eu percebi que sou feliz, devido a todas as pessoas que se cruzaram comigo, de que maneira tenha sido e, me marcaram... Por isso, devo-te um obrigada, por me teres tocado nos dias mais escuros e fazeres ver que não estou sozinha, por me fazeres ver o reflexo da minha alma nas tuas palavras... Espero que encontres o teu caminho, seja ele qual for e que, nesse momento, percebas que o passado foi um capítulo que te levou a grandes vitórias e te fez ser o que és, apesar de doloroso.
    De certo, serei uma das pessoas que não vai perder a oportunidade de ter o teu livro.
    Beijinhos inês

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