Desculpa-me

Quem me dera que não nos tivéssemos perdido no piso molhado, que é a vida. 
Voltar atrás e tapar-te a boca no início de qualquer discussão, puxar-te para mim quando dormimos de costas voltadas, dizer-te bom dia, mesmo que não o fosse. 
Ter-te dado mais do que o que sobrou. quando tentaste dar o que não tinhas.
Dar-te mais a mão, dizer que te amava mais do que te disse.
Que te tivesse passado mais o toque corpo a baixo, quando tentaste encontrar conforto no meu abraço.
Devia ter-te abraçado mais.
Cheirado-te mais, aconchegar-te mais.
Que tivesse atendido mais o telemóvel,
 ou não virado o ecrã para baixo quando estava magoada. 
Magoada pelas coisas parvas que nos fazem por vezes,
 sentir vergonha da pouca humanidade que bombeia dentro de nós.
Porque a mágoa foi-se embora, e os dias já não se sentem da mesma maneira. 
A casa chora, choramos nós também, tudo se parte,
 nada ganha magia ou encanto longe do que fomos nós. 
A saudade corta e esmaga a imagem que ainda guardo de ti, rindo alto com vontade e esperança que durássemos eternamente.
Quem me dera ter-te puxado a mão no dia em que virámos costas. 
O orgulho não nos levou a lado nenhum.
Não nos comprou teto, nem noites, acabou com as manhãs. 
Comprou-me um bilhete para um sítio qualquer, onde nunca quis estar.
Ah o amor!! 
E os sentimentos estranhos a que dá a mão.

 

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